quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

BAIXADA FLUMINENSE TEM NOITE DOS HORRORES COM 09 HOMICÍDIOS - CRIANÇA DE 12 ANOS ENTRE AS VÍTIMAS

5/01/2014 


Madrugada violenta na Baixada Fluminense deixa pelo menos nove mortos - 
Uma das vítimas é uma menina de 12 anos, atingida por uma bala perdida

Rio - Pelo menos nove pessoas foram mortas entre o fim da noite de terça-feira e a madrugada desta quarta-feira, na Baixada Fluminense. Uma das vítimas é uma menina de 12 anos, atingida por uma bala perdida. Outras três pessoas foram baleadas na mesma ocorrência. Há menos de uma semana oito homens foram mortos entre a última quinta e sexta-feira, em cinco pontos diferentes de Nova Iguaçu.

De acordo com policiais do 39º BPM (Belford Roxo), homens encapuzados em uma Fiat Doblô preta desceram do veículo na Rua Olavo Bilac esquina com a Rua Axélia no bairro Piam, em Belford Roxo, e dispararam contra dois homens, que lanchavam em uma barraca. Um deles tentou se refugiar em uma casa, mas foi perseguido e executado. As vítimas foram identificadas como Willian Gama de Oliveira, 25, e Jonathan de Souza Pascoal, 23.

Os disparos atingiram ainda duas adolescentes e uma mulher. Elas foram socorridas no Hospital do Joca, no mesmo município.Taíssa da Silva Chagas, de 12 anos, não resistiu aos ferimentos e morreu. A irmã dela, Tamires da Silva Chagas, 15, e Geovania Costa da Silva, 59, dona da barraca, foram feridas de raspão. Um homem baleado foi levado para o Hospital de Saracuruna, em Duque de Caxias, com um tiro nas nádegas. Ele ainda não foi identificado e não há informações sobre seu estado de saúde.

Os assassinos fugiram. O veículo usado pelos criminosos foi encontrado no fim da madrugada num dos acessos ao Morro do Castelar. A comunidade e o Morro do Rola Bosta ficam próximos ao local do crime. O caso está sendo investigado pela 54ª DP (Belford Roxo).

Executados em Itaguaí

Em Itaguaí, no bairro Jardim Ueda, dois homens foram executados a tiros, por volta da 23h na Rua Arapucaia Guassú, próximo à Ponte do Cação, no bairro Teixeiras. Segundo policiais do 24º BPM (Queimados), uma das vítimas foi identificada como Laurentino Gaudino Neves Leitão Neto, de 24 anos, conhecido como Capixaba. O outro ainda não foi identificado. A 50ª DP (Itaguaí) registrou o caso.

No mesmo horário, um homem ainda não identificado foi assassinado com quatro tiros na Rua Florença, bairro Delamare, em Japeri, na Baixada Fluminense. O registro do crime foi feito na 55ª DP (Queimados).

Corpo de mulher achado em São João de Meriti

No início da madrugada desta quarta-feira dois homens foram encontrados mortos a tiros na Rua República do Paraguai, na Vila Sarapuí, em Duque de Caxias, próximo ao ponto final de uma empresa de ônibus. Segundo o 15º BPM (Duque de Caxias), os corpos estavam amarrados e um bilhete foi deixado no local pelos assassinos. O registro da ocorrência foi feito na 59ª DP (Duque de Caxias).

Por volta das 4h, policiais do 21º BPM (São João de Meriti) foram acionados para a Rua Bernardino Teixeira, 279, em Éden, São João de Meriti. No local, eles encontraram um homem caído na calçada com um corte no pescoço. Dentro da residência, também com um corte profundo no mesmo local, foi achado o corpo de Maria Dolores de Castro Amado, de 48 anos. Ele está internado em estado grave no Hospital da Posse, em Nova Iguaçu.

Vizinhos disseram aos PMs que o casal já tinha mantido uma relação amorosa. Ainda de acordo com eles, o homem era usuário de cocaína e ela era usuária de bebida alcoolica. A ocorrência foi registrada na 54ª DP (Belford Roxo).

Matéria de O Dia

MARCELLO VICTOR

'Big Brother' da segurança na Baixada

Após as oito mortes na semana passada, secretários de Segurança de municípios da Baixada Fluminense aprovaram um projeto único para os 13 municípios da região apresentado na segunda-feira, no 3º Encontro de Segurança, pelo deputado federal Marcelo Matos (PDT). O objetivo é ter um 'Big Brother' da segurança pública como câmeras de vigilância e centrais de monitoramento. Com isso guardas municipais poderiam ajudar a PM no policiamento.

“O governo federal vai abrir linha de crédito para equipar as guardas municipais em relação à tecnologia, treinamento e equipamentos como viaturas e armas não letais, e nós queremos os municípios unidos em torno deste objetivo”, detalhou o parlamentar na ocasião.

A preocupação com a migração de traficantes de áreas pacificadas do Rio levou representantes de cidades que não são da Baixada, como Petrópolis, ao encontro. Na semana passada, oito homens foram mortos em menos de 24h em Nova Iguaçu. Investigações apontam ligação de traficantes do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, com alguns assassinatos em guerra por domínio de bocas de fumo.

“A migração é visível e o próprio governo estadual reconheceu isso, ampliando o efetivo e instalando companhias destacadas. Mas achamos que ainda é pouco e o consórcio de municípios pode dar sua contribuição”, explicou Marcelo Matos.

O montante de recursos necessários para equipar as guardas municipais dos 13 municípios da Baixada não foi discutido.


Um comentário:

  1. Burduna nelles !!! - 05/05/2014 às 8:39
    A nossa realidade …
    Relato de um médico em Cirurgia Plástica, residente no último ano: (ESTOU COM ELE!!)
    Como muitos sabem, sou médico residente de último ano de Cirurgia Plástica, mas faço plantões extras como cirurgião do trauma. Segue um breve relato do cotidiano de um médico plantonista.
    Baixada fluminense, garota de 16 anos, lesão craniana por arma de fogo, com perda de massa encefálica. Atendimento em sala de trauma, via aérea assegurada por intubação orotraqueal, reanimação volêmica. Parada cardiorespiratório por 3x revertida c massagem cardíaca e drogas vasopressoras. Paciente estabiliza hemodinamicamente. Verifico pupilas dilatadas não reagentes ao estímulo, assim como os demais reflexos tronco encefálicos ausentes. Hospital onde estou não há exames complementares para falência encefálica, não suporta procedimento de retirada de orgãos. Ligo para central de transplantes do estado do Rio de Janeiro. Todos os números possíveis, sem sucesso. Sequer uma gravação. Família em desespero n entendendo a situação, porém demonstrando desejo de doação de orgãos. Sigo tentando contato para iniciar protocolo de captação dos orgãos.
    4h depois do primeiro contato, sim Quatro horas, sou atendido por uma reguladora, felizmente muito solicita. A mesma pede que eu entre em contato com o hospital referência para captação e solicite vaga, pois através da central não teriamos sucesso. Então 3h após o primeiro contato com o tal hospital, após mandar fax e praticamente implorar, tenho vaga negada.
    Pcte evolui com instabilidade hemodinâmica mesmo em bomba de infusão de vasopressores. Nova parada cardíaca. Reanimamos pela 4ª vez, mantemos o coração batendo, estabilidade hemodinâmica. Após 5h consigo leito para transferência, animação da equipe, seria a primeira vez que a equipe do hospital veria um processo de sucesso de captação de orgãos, vencemos o sistema … acende uma centelha de esperança na equipe.
    Porém, não há no município em questão ambulância equipada para transporte avançado. O tempo corre. Perdemos a vaga. Paciente pára pela 5ª vez. Procedimento de reanimação desta vez sem sucesso.
    Frustração generalizada da equipe.
    Converso com familiares, todos inconsoláveis. A falta de tudo. O sistema, a desorganização generalizada da saúde pública, o descaso dos gestores privaram nos do sucesso. Privaram a família de perpetuar a memória da menina, disseminando vida a outros doentes em fila de espera. Uma ambulância. Uma vaga. Um sistema que não te ajuda. Dramático, não?
    Realidade cotidiana.
    Sistema público de saúde colapsado. Estado colapsado. Me bastava uma ambulância igual as da Arena Pantanal, ou do Estádio Itaquerão. Me bastava a vontade de fazer dos hospitais algo tão funcional quanto um estádio da Copa. Uma refinaria no valor de 48 milhoes comprada pela Petrobras, estatal, por 1bi. Um bilhão menos quarenta e oito milhões. A diferença igual ao valor roubado dos contribuintes brasileiros. O lucro dos envolvidos igual ao rombo nos cofres públicos. Falta tudo ao povo da baixada fluminense, do agreste, da vila Areia em Porto Alegre. Falta ambulância, falta vaga em hospital. Falta discernimento para compreender o que representa o caso Passadena na vida deles. Sobra discernimento aos políticos em como ludibriar o povo. Vide o pequeno “engano” do Instituto de Pesquisa Econômica Avançada, eclodiram passeatas feministas (com razão) contra o estupro. Pena que a pesquisa estava errada, pena que aparecem fatos como este para abafar os escandalos da Petrobras. Pena que eu vejo esses descasos aos meus pacientes sozinho. Pena que boa parte do eleitorado brasileiro não entende tudo isso.
    Neymar, desculpa, mas vou torcer pro Messi. Ronaldo desculpa, mas eu quero hospitais. Dilma, desculpa, mas vou lutar dia a dia para tirar votos do seu governo, no metro, no hospital, no elevador, no facebook.
    Chato é não tentar.
    Guilherme A. Fritsch-Nunes

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